sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Violência doméstica

Vivemos num planeta em que é cultivada a idéia do certo e do errado, do bem do mal, da vítima do perpetrador, do rico e do pobre, da verdade única, da culpabilização de uns em prol da irresponsabilização de outros, etc.

Porém se observarmos o resultado disso constatamos que essa abordagem nos conduziu a uma sociedade com profundas assimetrias e extremamente desequilibrada.

Analisando de outra forma, a vida em sociedade transformou-se numa versão humana da lei da selva onde o mais forte sobrevive, apenas com a agravante de que ao contrário dos humanos, a maioria dos animais ditos selvagens apenas faz vítimas quando necessita de alimento para sobreviver.

Qualquer tipo de equilíbrio é sempre construído com base numa harmonização entre elementos que são diferentes e em alguns casos até mesmo aparentemente completamente opostos. Talvez não fosse preciso é chegar a opostos tão extremados.

Isto só se pode dar devido ao alto nível de inconsciência em que a maioria ainda vive.

Para passar da inconsciência à consciência à consciência às vezes é necessário, como alguns mestres sempre falaram, passar por algum nível de sofrimento. Pelo menos para a maioria, no estádio em que ainda nos encontramos.

O que é triste é que apesar desse sofrimento ser cada vez maior no ser humano em particular e na sociedade em geral, o ser humano teima em manter os padrões que o levaram a esse mesmo sofrimento. Como dizia Einstein: "Loucura é repetir diariamente o mesmo à espera de obter resultados diferentes".

Como nada acontece por acaso habitualmente quando um homem bate numa mulher ou quando uma mulher agride um homem existe a tendência para culpar um e ilibar o outro colocando-o como vítima. Mas será que é assim mesmo?

Até aos dias de hoje, em que é que essa abordagem contribuiu para a resolução da questão? Parece que pouco. Parece haver cada vez mais violência doméstica. Então porquê continuar a repetir a mesma fórmula de pretensa resolução?

E violência doméstica será apenas bater na mulher, marido ou até filho? E, por exemplo, as agressões verbais serão o quê?

A repetição de algo que não funciona apenas pode resultar do estado de adormecimento em que aqueles que repetem a fórmula se encontram ou, do mesmo estado de adormecimento em que aqueles que propõem essa repetição igualmente se encontram.

Teoricamente aqueles que propõem as soluções deveriam ser mais conscientes, mas ...

Teríamos que buscar no nosso passado, muitas vezes bem remoto, quais as causas de estarmos a ser violentos ou a ser acometidos por violência.

Quando alguém é violento com alguém, independentemente da forma que essa violência possa assumir, ele está a ser violento em primeiro lugar consigo mesmo e a tentar cobrar algo de alguém no seu passado e não da pessoa que está a agredir agora ou pelo menos não completamente! Muitas vezes o incidente que gera a violência, em si mesmo, não justifica a atitude, apenas serve de gatilho ou, por outras palavras é a gota de água que faz transbordar o copo. Igualmente alguém que está a ser vitimizado agora está reproduzindo um padrão antigo ou de um seu familiar. A pessoa que o está a agredir apenas está a fazer o seu papel.

Na verdade se tenho necessidade de ser agredido e se alguém tem necessidade de agredir, nada melhor que um atrair o outro e ... É como ir ao mercado, tenho fome e quero comer legumes e o agricultor precisa dinheiro e quer vender os seus legumes, encontramo-nos e fazemos a troca do dinheiro pelos legumes.

Estranhas idéias deve o leitor estar a pensar!

A prática terapêutica do Descondicionamento há mais de 15 anos tem mostrado isso mesmo, por muito que fique chocado. Quando um deixa de ter necessidade de ser batido, o outro deixa de bater!

Se pretende ajuda ou mais esclarecimentos, pode contatar, para mais informações:

http://www.fernandobaptista.com.br/contato_12.html

A boa notícia é que não há vítimas nem perpetradores, há apenas pessoas adormecidas com necessidades inconscientes de serem agredidas e de agredir e, tão rapidamente essa necessidade é removida, tão rapidamente eles abandonam esses papéis assumindo a responsabilidade de suas vidas e compreendendo que assim é de fato.

É incrível como, por exemplo, um padrão em que a mãe de uma “vítima” de agressão era agredida também ela por seu marido, é reproduzido pela filha atraindo um marido com as mesmas características do pai!

Freud e outros autores psicanalíticos, ou de outras áreas que falam da importância da integração dos modelos dos pais, podem estar errados em muita coisa, mas numa coisa eles estão certos. A relação com os pais é importante ser resolvida o mais cedo possível na vida da pessoa! Resolvido pressupõe a saída do apego e do amor condicional tão comum na maioria das relações pais-filhos para a liberdade e um amor incondicional cada um respeitando verdadeiramente o outro como ser humano, mantendo, mas ao mesmo tempo transcendendo a relação pai-filho.

Após o regresso aos arquétipos masculino e feminino dificilmente homens continuarão agredindo mulheres e vice-versa. Sairemos assim também da visão dualista e paternalista do bonzinho e do mau, da vítima e do culpado assumindo cada um a sua responsabilidade no tema.

Num certo plano a vida é como um palco em que cada um representa seu papel. O maior problema é que a maioria esquece-se disso e leva a coisa a sério, agredindo, fazendo-se de vítima, etc.!

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