segunda-feira, 24 de outubro de 2011

As dependências

Quase todos os seres humanos se encontram dependentes de algo, quanto mais não seja, de um corpo para poder habitar este planeta...

Comumente falamos de dependências do álcool, das drogas, do sexo, da TV, da internet, dos medicamentos, etc. Muitas vezes esquecemo-nos da dependência de pessoas (normalmente dependência emocional) e de comida, sendo a maioria de nós viciados em ambos, não fossem essas as nossas primeiras experiências enquanto seres vivos habitando o corpo de nossas mães e sendo alimentados por ela.

A questão é que estamos tão habituados, tão dependentes que nem nos apercebemos disso, de tão natural que é!

Quando algumas escolas de pensamento, filosofias, etc. falam do desapego, incluem também, na maior parte das vezes de forma implícita, estas duas dependências. 

Talvez sejam das mais difíceis de liberar por nem as considerarmos como tal.

Estes dois aspectos da nossa vida são responsáveis por grande parte dos nossos problemas nos dias de hoje.

Em geral comemos em excesso e mal. Quantidade não é sinônimo de qualidade. A qualidade dos alimentos que ingerimos também deixa muito a desejar. Normalmente desconhecemos a fonte desses alimentos, confiando totalmente nela, deixando assim uma parte importante da nossa saúde entregue em suas mãos.

Quantos de nós fazemos uma desintoxicação, de tempos a tempos, pelo menos para atenuar os efeitos nocivos de alguns agrotóxicos?

Já no que diz respeito à dependência de outros, devido à nossa natureza humana, somos desde cedo e por um período bem grande, dependentes de terceiros, nomeadamente dos progenitores ou cuidadores.

Ao longo da vida dificilmente nos libertamos dessa dependência. A maioria de nós nasce e morre e nem se apercebe dessa dependência ou, se se apercebe, não sabe o que fazer para se libertar dela, normalmente acumulando mais e mais dependências.  Muitas vezes saindo da dependência dos pais para a dependência do marido ou da esposa, etc. Essa dependência é também, tão natural, que nem desconfiamos dela.

Obviamente que, na sociedade em que vivemos, iremos sempre ter necessidade de nos alimentar e de ter alguém com quem comunicar. Porém, o importante é não ficar dependente e apegado a ambas as situações.

Há pessoas que, se depois de acordarem não tomarem um café antes de saírem casa, ficam o resto do dia perturbadas. Que mal vem ao mundo se não se beber um café logo pela manhã? Para muitas pessoas é o suficiente para passarem um dia mal humoradas, ou sem energia, etc. Como é possível chegar a um ponto destes? Há pais que, durante anos, não conseguem passar um dia sem falar com os filhos, ou vice-versa, mesmo depois destes terem saído de suas casas. E dizem que é por amor...

Porém, o principal foco social vai para as outras dependências, essas sim são importantes, dizem alguns...

De fato são importantes embora, não mais do que as outras, apesar de toda a discriminação que sofrem pela mídia.

Uma dependência de algo, observada de forma simplista e exagerada, é um estado em que alguém ou algo “não consegue viver” sem o objeto do qual depende. Pode ser uma dependência física, química, emocional, mental ou até mesmo espiritual.

No caso do álcool e das drogas, para se poder garantir a cura da pessoa em questão, é muitas vezes necessário fazer uma terapia de cura da família, em paralelo com a do objeto da dependência. A menos que a relação com os pais seja resolvida e o equilíbrio emocional restabelecido, dificilmente poderemos falar num resultado efetivo. Existem com certeza sempre, algumas exceções.

Se a pessoa dependente já tiver constituído família é também necessário harmonizar a relação com o (a) parceiro (a) e filhos, se for o caso.

Muitas vezes ao fazer a anamnese já se constata que existe um histórico familiar da dependência na família de um dos progenitores, pelo que é necessário desconectar dessa linha ascendente. Desconectar, neste caso não tem nada a ver com separação, significa apenas viver em harmonia com essa ascendência, embora não sendo afetado por ela. 

Mesmo não existindo esse histórico familiar, através da prática consistente da Psicoterapia Integral, tem-se constatado ser esse aspecto da desconexão familiar, de importância fundamental para a resolução e estabilização de todos os casos de dependência.

Como exemplo, de maneira bem generalista, num caso de dependência de tabaco, para podermos garantir uma resolução efetiva e estável da mesma através deste modelo terapêutico do Descondicionamento, é indispensável descondicionar:
  • O ato de fumar
  • O fumo
  • A nicotina
  • O cheiro do tabaco
  • O sabor do tabaco
  • A imagem
  • As eventuais influências de amigos, ídolos, etc.
  • Os relacionamentos opressores a montante (pais ou cuidadores)
  • Os eventuais relacionamentos atuais (esposa, marido e etc)
  • A região do peito, coração, pulmões, timo, no que diz respeito a relacionamentos e a não sentir amado
  • Algum aspecto específico em particular
A minha experiência com fumadores tem-me mostrado casos em que, pessoas ao fim de meia dúzia de sessões reduzem para metade o consumo do tabaco. Mesmo os casos mais resistentes, ao fim de poucas semanas alcançam o primeiro nível da cura: Deixam de fumar ou fumam esporadicamente um ou outro cigarro, por prazer apenas!

A resolução de qualquer dependência não passa necessariamente, em todos os casos, pelo abandono total do objeto da mesma. Passa, isso sim, pelo domínio desse objeto.

Porém, a maioria abandona o tabaco. Uma minoria fuma de vez em quando um cigarro, sem qualquer problema. Alguns desinteressam-se de continuar o processo até ao fim, por achar que já é suficiente  o que alcançaram, sem querer resolver as questões que os levaram a fumar. Daí podem vir a resultar outras questões no futuro das quais ficam cientes e responsáveis através dos esclarecimentos que lhe são dados.

Finalmente convém recordar que existem ainda muitas outras dependências, como a do reconhecimento por terceiros, do açúcar, do dinheiro, etc.

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