Comumente
falamos de dependências do álcool, das drogas, do sexo, da TV, da internet, dos
medicamentos, etc. Muitas vezes esquecemo-nos da dependência de pessoas (normalmente
dependência emocional) e de comida, sendo a maioria de nós viciados em ambos,
não fossem essas as nossas primeiras experiências enquanto seres vivos
habitando o corpo de nossas mães e sendo alimentados por ela.
A questão é
que estamos tão habituados, tão dependentes que nem nos apercebemos disso, de
tão natural que é!
Quando
algumas escolas de pensamento, filosofias, etc. falam do desapego, incluem
também, na maior parte das vezes de forma implícita, estas duas dependências.
Talvez sejam
das mais difíceis de liberar por nem as considerarmos como tal.
Estes dois
aspectos da nossa vida são responsáveis por grande parte dos nossos problemas
nos dias de hoje.
Em geral
comemos em excesso e mal. Quantidade não é sinônimo de qualidade. A qualidade
dos alimentos que ingerimos também deixa muito a desejar. Normalmente
desconhecemos a fonte desses alimentos, confiando totalmente nela, deixando
assim uma parte importante da nossa saúde entregue em suas mãos.
Quantos de
nós fazemos uma desintoxicação, de tempos a tempos, pelo menos para atenuar os
efeitos nocivos de alguns agrotóxicos?
Já no que
diz respeito à dependência de outros, devido à nossa natureza humana, somos
desde cedo e por um período bem grande, dependentes de terceiros, nomeadamente
dos progenitores ou cuidadores.
Ao longo da
vida dificilmente nos libertamos dessa dependência. A maioria de nós nasce e
morre e nem se apercebe dessa dependência ou, se se apercebe, não sabe o que
fazer para se libertar dela, normalmente acumulando mais e mais dependências. Muitas vezes saindo da dependência dos pais
para a dependência do marido ou da esposa, etc. Essa dependência é também, tão
natural, que nem desconfiamos dela.
Obviamente
que, na sociedade em que vivemos, iremos sempre ter necessidade de nos
alimentar e de ter alguém com quem comunicar. Porém, o importante é não ficar
dependente e apegado a ambas as situações.
Há pessoas
que, se depois de acordarem não tomarem um café antes de saírem casa, ficam o
resto do dia perturbadas. Que mal vem ao mundo se não se beber um café logo
pela manhã? Para muitas pessoas é o suficiente para passarem um dia mal
humoradas, ou sem energia, etc. Como é possível chegar a um ponto destes? Há
pais que, durante anos, não conseguem passar um dia sem falar com os filhos, ou
vice-versa, mesmo depois destes terem saído de suas casas. E dizem que é por
amor...
Porém, o
principal foco social vai para as outras dependências, essas sim são importantes,
dizem alguns...
De fato são
importantes embora, não mais do que as outras, apesar de toda a discriminação
que sofrem pela mídia.
Uma dependência de algo, observada de forma
simplista e exagerada, é um estado em que alguém ou algo
“não consegue viver” sem o objeto do qual depende. Pode ser uma dependência
física, química, emocional, mental ou até mesmo espiritual.
No caso do álcool e das drogas, para se poder
garantir a cura da pessoa em questão, é muitas vezes necessário fazer uma
terapia de cura da família, em paralelo com a do objeto da dependência. A menos
que a relação com os pais seja resolvida e o equilíbrio emocional restabelecido,
dificilmente poderemos falar num resultado efetivo. Existem com certeza sempre,
algumas exceções.
Se a pessoa
dependente já tiver constituído família é também necessário harmonizar a
relação com o (a) parceiro (a) e filhos, se for o caso.
Muitas vezes
ao fazer a anamnese já se constata que existe um histórico familiar da
dependência na família de um dos progenitores, pelo que é necessário
desconectar dessa linha ascendente. Desconectar, neste caso não tem nada a ver
com separação, significa apenas viver em harmonia com essa ascendência, embora
não sendo afetado por ela.
Mesmo não
existindo esse histórico familiar, através da prática consistente da
Psicoterapia Integral, tem-se constatado ser esse aspecto da desconexão
familiar, de importância fundamental para a resolução e estabilização de todos
os casos de dependência.
Como
exemplo, de maneira bem generalista, num caso de dependência de tabaco, para
podermos garantir uma resolução efetiva e estável da mesma através deste modelo
terapêutico do Descondicionamento, é indispensável descondicionar:
- O ato de fumar
- O fumo
- A nicotina
- O cheiro do tabaco
- O sabor do tabaco
- A imagem
- As eventuais influências de amigos, ídolos, etc.
- Os relacionamentos opressores a montante (pais ou cuidadores)
- Os eventuais relacionamentos atuais (esposa, marido e etc)
- A região do peito, coração, pulmões, timo, no que diz respeito a relacionamentos e a não sentir amado
- Algum aspecto específico em particular
A minha
experiência com fumadores tem-me mostrado casos em que, pessoas ao fim de meia
dúzia de sessões reduzem para metade o consumo do tabaco. Mesmo os casos mais
resistentes, ao fim de poucas semanas alcançam o primeiro nível da cura: Deixam
de fumar ou fumam esporadicamente um ou outro cigarro, por prazer apenas!
A resolução
de qualquer dependência não passa necessariamente, em todos os casos, pelo
abandono total do objeto da mesma. Passa, isso sim, pelo domínio desse objeto.
Porém, a
maioria abandona o tabaco. Uma minoria fuma de vez em quando um cigarro, sem
qualquer problema. Alguns desinteressam-se de continuar o processo até ao fim,
por achar que já é suficiente o que
alcançaram, sem querer resolver as questões que os levaram a fumar. Daí podem
vir a resultar outras questões no futuro das quais ficam cientes e responsáveis
através dos esclarecimentos que lhe são dados.
Finalmente convém recordar que existem ainda muitas outras dependências, como a do reconhecimento por
terceiros, do açúcar, do dinheiro, etc.
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