Antigamente alguns
mestres iam para o topo das montanhas, ou para o deserto viver sozinhos em
busca da iluminação ou, no mínimo de níveis mais elevados de consciência.
Nos dias de hoje
podemos alcançar esses níveis através de um relacionamento.
Neste pequeno texto
irei referir-me mais aos relacionamentos amorosos, quer sejam conjugais, viver
junto ou simples namoro.
Muitos
relacionamentos começam ainda bem cedo na vida de ambos os intervenientes.
Nalguns casos ainda na adolescência. Noutros casos começam na meia idade depois
de já ter tido algumas outras experiência, ou até mesmo casamentos.
O denominador comum
de todos os relacionamentos é a partilha da vida a dois, constituir família e
ter filhos nalguns casos, noutros apenas o convívio diário com troca de
conhecimentos, experiências, realização de sonhos em comum, etc.
Pressupõe-se a
existência de amor em todas as relações. Esse amor teoricamente é
incondicional.
É comum ouvir-se
dizer que fulano ou fulana me faz feliz, que aquele casal é muito feliz porque
estão sempre juntos, fazem tudo juntos, etc., que o marido é maravilhoso porque
faz tudo em casa, etc..
Uma grande parte das
pessoas sai de casa dos pais para constituir uma vida a dois, após algum tempo
de namoro.
A tendência que
existe quando se conhece alguém, é para reparar em todas as qualidades do
parceiro, subestimando, negando, ou recusando a ver, por amor, alguns
“defeitos” do outro.
À medida que os
relacionamentos evoluem no tempo, há em muitos deles a tendência para começar a
“piorar”. Quando atingem este ponto, há três possibilidades, acabar, continuar
a piorar ou melhorar.
Acabar um
relacionamento não vai resolver a vida de ambos, embora pareça no momento. Cada
um sai fragilizado, muitas vezes um “cheio de razão” e o outro como vítima e
noutras vezes cada um com as suas razões. Em ambos os casos ninguém sai feliz!
Muitas vezes decidem
não se envolver com mais ninguém ou, procuram outro relacionamento para
esquecer aquele.
Porém não adianta
esconder o sol com a peneira. Apenas uma verdadeira transformação pessoal a
partir de nós mesmos pode melhorar um relacionamento. Acabar, apenas adia a
resolução da vida de cada parceiro, às vezes para sempre, apesar da aparente
sensação momentânea de alívio. O ser humano, sobretudo na nossa cultura,
tem necessidade de culpar sempre alguém pelos seus males.
Importante observar,
após o trabalho com a Psicoterapia Integral ao longo dos últimos anos, que a
cobrança que é feita a maridos e esposas é na verdade uma cobrança a alguém
que, fez parte da nossa vida normalmente bem cedo na infância e que, na maioria
das vezes é nosso pai ou nossa mãe. Pode noutros casos ser a reprodução de um
padrão vivenciado em casa. O pai cobrava da mãe, eu cobro da esposa ou sou
cobrada pelo marido. Estes são apenas pequenos exemplos de um tema bem vasto.
No limite, um
relacionamento só deveria terminar quando está bem...! Então porque terminar?
Porque acabou o que os unia antes, um amor condicional. Como diz Brian Weiss só
o amor é real. Eu diria só o amor incondicional é real! Toda a entropia que
antes havia na relação e que aparentava unir os dois, foi resolvida e removida
e, no final verificou-se que o que os unia não era real.
A segunda opção, de
continuar a piorar acontece por diversos motivos, sobretudo por resistência a
mudança (ego grande), crença em certas estratégias como, por exemplo, a crença
de que a conversa vai resolver a situação. Aí um diz que o outro prometeu que
ia mudar e não mudou ou que só mudou por uns dias, etc. conversa de egos!!! Se
conversar resolvesse este tipo de situações a maioria dos divórcios seriam
evitados. Conversar serve para desabafar e aliviar momentaneamente. Conversar
até pode funcionar, mas desde que cada um se comprometa em se conhecer melhor e
assumir a sua parte de responsabilidade na relação. Outro aspecto são os
dogmas, tabus etc. de cada um que estão, de alguma maneira incluídos na resistência
à mudança.
E ainda a falta de opções válidas e efetivas que ajudem
verdadeiramente o casal a ter uma compreensão do que é uma relação a dois, da
responsabilidade de cada um e a falta de ferramentas que funcionem para que os
obstáculos possam ser removidos respeitando a liberdade de cada um e tragam ao
mesmo tempo uma nova visão (não imposta por terceiros) da relação.
Muitas vezes os
casais até procuram ajuda, porém a maioria não funciona.
A terceira e última
opção será melhorar. O desejo da maioria para não dizer de todos, pelo menos no
início dos conflitos.
E aqui é preciso
dizer o que é melhorar. Melhorar não significa necessariamente um submeter-se
ao outro para salvar o casamento, o que acontece muitas das vezes. Melhorar
significa cada um caminhar mais ao encontro de si mesmo, daquilo que é, através
das experiências “negativas” que está a ter, em vez de alimentar mais o seu ego
com justificações contra o outro e assim se autovitimizar. A resolução de
qualquer dificuldade na relação passa por uma maior tomada de consciência de
cada um e pela compaixão e respeito pelo momento do outro.
Nada acontece por
acaso, também nos relacionamentos. Dificuldades num relacionamento são reflexos
de dificuldades em relacionamentos anteriores e por conseqüência não se podem
resolver num passe de mágica. São dois seres, cada um com uma história
pessoal diferente do outro. Por este motivo muitos casais optam pela separação.
Dá algum trabalho admitir as responsabilidades e fazer o caminho do
autoconhecimento!
Com o Descondicionamento é possível resolver a maior parte dos problemas dos
casais apenas através de um dos parceiros que queira comprometer-se a tal,
ou seja, não é necessária a presença de ambos para trabalhar a relação
embora, se tal acontecer, possa facilitar e acelerar o processo.
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