quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O paradigma da cura

Antes de se determinar se é possível curar, quem o pode fazer e como o pode fazer, é importante definir em que consiste “curar”.

O artigo pretende apenas trazer mais compreensão sobre o significado da palavra cura. 


Fala-se muito em cura disto e daquilo, cada pessoa tem a sua opinião, mas afinal do que se está a falar quando se fala da cura de alguma coisa?

Se houvesse uma definição universal de cura não correríamos o risco de achar que resolvemos (curamos) um problema financeiro pedindo dinheiro emprestado, com juros... ao banco. Apenas substituímos um problema por outro! Talvez menor, ou mais tolerável, mas não resolvemos o problema. E assim se passa na maioria dos aspectos da nossa vida. Muitas vezes damos uma solução a um problema, sendo essa solução também um problema. 
Substituímos um problema por outro.

Poderíamos dizer de uma forma simplista e, ao mesmo tempo profunda que qualquer tipo de sintoma, quer seja uma relação difícil, falta de dinheiro ou uma doença “física”, é um reflexo de energia bloqueada.  

Uma cura de um sistema energético (ex. um edifício destruído ou o campo energético humano), em termos gerais pode ser definida como a restauração do estado de equilíbrio desse mesmo sistema.

Esse equilíbrio começa, muitas vezes, na consciência, através da decisão de melhorar, antes de se refletir nos planos mental, emocional e físico.

Num sistema energético de chakras, aproveitando o tema da última matéria sobre a pineal e o sétimo chakra, o equilíbrio corresponde a cada centro de energia vibrar na freqüência que lhe é própria. Como é tão bem demonstrado através da sequência das sete cores do arco-íris, ou seja, o primeiro chakra localizado na região do períneo, deve vibrar na freqüência correspondente à cor vermelha e, assim sucessivamente até o sétimo, situado no topo da cabeça, que se relaciona com a vibração da cor violeta.  

Para compreendermos o que é o equilíbrio basta imaginar uma balança de dois pratos no seu estado de repouso com os seus dois pratos vazios. Não pende para nenhum dos lados. Essa é uma imagem do estado de unidade em que nos encontrávamos algures no passado e ao qual precisamos voltar para restaurar o equilíbrio. Assim, para haver uma verdadeira cura, é importante sair da visão dual da realidade em que vivemos, onde sempre tomamos partido por um dos lados (o certo e o errado) e, voltar a uma perspectiva de equilíbrio, de unidade, compreendendo que ambos os pratos da balança, luz e sombra fazem parte da realidade, um não pode existir sem o outro.

A cura pode dar-se em diversos níveis. Para ela ser total, teria que se dar em todos os planos, diria até que é necessário que haja uma mudança de estado de consciência.


Observemos parte de uma entrevista concedida por um atleta a um jornal desportivo há dois dias atrás 13 meses depois do atleta se ter lesionado com gravidade.


“- Como se sentiu no jogo, em termos físicos, psíquicos...?
 
- Bem em termos físicos, apenas no final acusei algum cansaço. Mas reconheço que senti algum receio. Em especial cada vez que tinha de chutar a bola, já que me vinha à cabeça a imagem do lance em que me lesionei. ...”


Neste caso o atleta fez tudo o que tinha para fazer para se curar em termos físicos.  Este é o procedimento habitual na maioria dos casos e que corresponde apenas a uma cura parcial (física), como se deduz das palavras do próprio atleta.  O nível mental e o emocional não são trabalhados. As causas que levaram à lesão, as emoções decorrentes dessa experiência e as posteriores não são limpas. Elas ficam arquivadas. De acordo com a parte do corpo atingida, neste caso uma perna, assim há uma tensão na parte da consciência que lhe diz respeito, Esta tensão habitualmente mantém-se ignorada.  Também as imagens mentais relacionadas com o acontecimento ficam arquivadas, ou seja, não são limpas e reintegradas.

No caso das dependências, uma cura só se processa quando a pessoa pode estar tranquila, como qualquer outra pessoa, na presença do objeto da cura, sem ser afetado por ele. Teria que ter um comportamento semelhante ao de uma pessoa dita “normal” que não tenha essa dependência.

No mês passado ouvi uma senhora na televisão, muito feliz porque tinha deixado de fumar uns dias atrás. Dizia ela: essa coisa de fumar um cigarrinho de vez em quando não dá, nem pensar em ter cigarros por perto...  

Como é possível estar verdadeiramente curado de algo e não ser capaz de estar na sua presença, quando outros o fazem?

Em muitos destes casos de “cura”, a pessoa pode até não fumar mais até ao final de sua vida, todavia isso não quer dizer que está completamente curada.

O mesmo se passa nos relacionamentos, “não dá mais, estou fora, eu tenho razão, ele ou ela é o culpado”. Esta é apenas uma verdade aparente e bem superficial que não tem nada a ver como a verdade mais profunda, onde ambos têm razão, ambos são responsáveis, etc.

E como é difícil entender esta última verdade que, se encontra por detrás de todas as aparências!

Numa perspectiva dual não há positivo sem negativo. Num ponto de vista de unidade anterior a qualquer dualidade, não há positivo nem negativo.

“Vou-me separar porque ele ou ela são maus para mim (o positivo, o que todos vêm)!” Mas como não há positivo sem negativo, em que é que essa pessoa que diz ter razão se está a omitir ou, por outras palavras, que parte da consciência dessa pessoa (o negativo, que ninguém ao redor está a enxergar e muitas vezes, incluindo o próprio) está a criar e a atrair uma experiência assim?

Num relacionamento, curar, aplicando a fórmula acima, é restabelecer o equilíbrio antes de separar, se for o caso. No caso de haver separação, o equilíbrio da ignorância mútua continuará a prevalecer e assim se perpetua a roda do sofrimento!

Por alguns pequenos exemplos, como os acima apresentados, é possível ver como é importante definir o conceito de cura, antes de se discutir ou escolher alguma abordagem que pretenda levar a esse objetivo.

Num plano de realidade mais profundo, tudo está em equilíbrio, tudo está bem como está.

O que pode ser interessante questionar do ponto de vista pessoal é, se nos encontramos felizes dentro desse equilíbrio ou se estamos desconfortáveis.

Se estivermos desconfortáveis com algum aspecto da nossa vida, o que precisamos fazer para criar outro tipo de equilíbrio onde nos sintamos felizes e realizados? 

Lembrando sempre que só nós (eu e você) podemos decidir mudar a nossa própria realidade!

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