terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Respirar

Por incrível que pareça a maioria dos seres humanos nasce e morre e não se apercebe que respira...

Se ainda não o fez antes, experimente o leitor interromper a leitura deste texto agora mesmo, colocar-se numa posição confortável, fechar os olhos por uns instantes e “observar” o movimento do ar entrando nas suas narinas, no seu percurso até aos pulmões e depois a saída do mesmo através da expiração pela boca. 

Se estiver disposto, faça-o por dois, três minutos, colocando toda a atenção exclusivamente na respiração.   

Pode acontecer que ao fazer esta prática surjam alguns suspiros profundos, após os quais poderá ser invadido por uma onda de relaxamento e bem estar. A mente à medida que for observando, provavelmente vai-se esvaziando. Não precisa contribuir conscientemente com a respiração, limite-se apenas a observar com consciência a inspiração e a expiração. Depois de realizar a experiência observe-se a você mesmo e verifique se existe alguma diferença em relação ao momento anterior à prática. Se não houve, experimente num outro momento em que eventualmente possa estar a sentir-se desconfortável.


Esta prática apesar de simples é bem poderosa. Enquanto a nossa mente viaja no tempo, para trás e para a frente que nem macaco novo pula de galho em galho, o corpo é aquela parte de nós que se encontra sempre no momento presente, no agora!


No agora não há dor nem sofrimento. O agora é o único momento de poder em nossas vidas. Todas as nossas ações são feitas no agora, apesar de muitas vezes a nossa mente estar a viajar e nós não estarmos completamente presentes.  Quando conseguimos estar totalmente presentes no agora fazendo o que estamos a fazer, estamos num estado de consciência desperta, onde dificilmente algum “erro” será cometido ou desconforto sentido. Nada se pode fazer amanhã ou ontem, até pelo simples fato de num plano de realidade mais profundo, não existirem. Vivemos num eterno presente embora não nos apercebamos disso.


O sofrimento que podemos sentir, na maioria dos casos não está relacionado com o momento presente, não tem a sua causa ou origem ali naquele momento. É como se o corpo estivesse no presente reproduzindo de forma inconsciente algo que aconteceu num outro agora. Às vezes o ambiente ou o que está perto apenas está fazendo de gatilho, que nos leva para a experiência traumática inicial.


A respiração é uma chave fundamental que lhe pode permitir acessar o momento presente de uma forma relativamente rápida e fácil.


Através de uma prática dedicada poderá obter bons resultados. Sempre que a atenção for a fugir para qualquer coisa, volte a colocá-la de novo na respiração. A prática pode prosseguir pelo tempo que achar conveniente.


Esta prática muito simples não tem o objetivo de resolver os problemas da sua vida. Pode apenas abrir-lhe as portas para outra dimensão de você e da vida.


Num ponto de vista meramente físico respirar é viver. O oxigênio é o recurso natural mais importante para as nossas células. Podemos dizer que podemos passar até quarenta dias sem nos alimentarmos e até três dias sem água. Certo, porém é que morreremos se deixarmos de respirar por uns minutos.


Ao inalar oxigênio fortalecemos o sistema imunitário e ao expirar expelimos toxinas.


A respiração também interfere nos nossos estados mentais e emocionais. As habilidades para aprender, assimilar informação, concentrar, focar, lembrar são muito afetadas pela qualidade da respiração. O cérebro requer uma grande quantidade de oxigênio para funcionar.


A respiração é também a porta de entrada para a mente subconsciente, onde os padrões de pensamento, experiências, automatismos, emoções, hábitos, etc. se encontram alojados.


A nossa respiração torna-se inadequada através de condicionamento e treinamento. Por exemplo, quando uma criança chora e lhe pedimos para parar porque já não a podemos ouvir ou “não queremos que ela sofra”... estamos a induzi-la a entrar em certos padrões repressivos e a condicioná-la na respiração. 

Quando ela está excitada com alguma coisa e lhe pedimos para ficar sossegada estamos igualmente a induzir um padrão respiratório condicionador e negativo para a criança. Ao mesmo tempo fazemos com que os conteúdos emocionais do momento sejam reprimidos e guardados num nível subconsciente.


A respiração normalmente é um processo metabólico involuntário a não ser quando fazemos uma prática consciente, como proposto acima.


Outra causa fundamental responsável pelas nossas limitações respiratórias relaciona-se com a nossa primeira respiração. No momento do nascimento estabelecemos alguns padrões básicos de relação com o nosso corpo e com a respiração. Para a grande maioria de nós esse primeiro momento de respiração foi bastante traumático. O nascimento é considerado quase de forma universal como uma emergência médica e é feito num hospital.


Como escrevi numa outra matéria o cordão umbilical é cortado imediatamente após o nascimento sem qualquer respeito pelas necessidades da criança. Desta forma é cortado o fornecimento de oxigênio e colocamos a criança numa situação de elevado estresse num momento fundamental de transição, para ela. 

Os pequenos pulmões repletos de fluido foram obrigados a abrir de forma demasiado rápida. Ao sermos forçados a respirar pela primeira vez inesperadamente (aqui, se já não começou antes, começa a falta de respeito pelos direitos da criança) e num estado de pânico somos induzidos num estado de sufoco e sensação de abandono. Fomos levados a respirar de acordo com o horário de alguém.


Obviamente que há muitas outras causas, mas com este tipo de partos não é de estranhar que haja tantas depressões, relacionamentos frustrados, etc.


Aqui com este artigo proponho-me apenas mostrar a importância de algo que, como disse no inicio, muitas pessoas fazem durante as suas vidas embora não se apercebem de fazer, RESPIRAR!  


5 minutos de respiração consciente por dia correspondem a aproximadamente 30 horas por ano  de presença desperta no corpo. Não parece muito, mas no final de 2012 pode significar uma grande diferença em sua vida!


Noutra matéria proporei outras práticas e abordarei alguns aspetos que podem contribuir para um maior autoconhecimento como, por exemplo, a interpretação da respiração.


Quem procurar algo mais avançado deve pesquisar em sites especializados no assunto.

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