segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cenas da vida quotidiana dos bebês - 1

O ser humano tem o livre-arbítrio embora, as crianças ainda em tenra idade, perante a extrema dependência que têm de terceiros e a força do amor que sentem pelos pais, comecem desde cedo a se abandonar, entrando na matrix  mental, desenvolvendo crenças, retendo emoções, etc....

O auto-abandono começa bem cedo em nossas vidas...

O discurso será feito na primeira pessoa de forma a que o leitor se coloque no papel do bebê, da criança, e observe como se sentiria nesse papel. Talvez há alguns anos atrás tenha tido um dia parecido ou igual...


Estes eventos são completamente fictícios e qualquer parecença com a realidade é pura coincidência.

Evento A

Versão A

Segunda-feira de manhã o meu pai sai para trabalhar. Eu cheguei a casa na véspera. A nossa vizinha de cima e a sua filha batem à porta e querem saber detalhes sobre o parto, a minha mãe e sobre mim. Eu faço as minhas necessidades na fralda e começo a chorar pelo desconforto, reclamando para ser limpo e cuidado. A minha mãe devido à conversa e à distância que a separa do meu quarto, inicialmente não se apercebe do choro o que me leva a entrar em desespero... acabei de nascer e ninguém cuida de mim.... não sou amado, não sou merecedor... há outras coisas mais importantes do que eu.... não adianta reclamar que ninguém me atende.... se minha mãe é assim.... se ser mulher é ser assim... fui abandonado, estou sozinho no mundo.... esta vida é bem estranha... começo a chorar mais alto até que finalmente minha mãe se apercebe, se despede das vizinhas, chega e diz:  pronto, pronto a mamã já chegou, já está aqui, não precisa chorar mais, a mamã vai cuidar muito bem do seu filhinho lindo....vai dar banhinho....xiu, xiu, não chora mais não, já está quase pronto, não faz mais barulho....  já está limpinho... a mamã gosta muito do filhinho.... a mamã agora pega no menino ao colo e vai ver televisão com você....vamos ficar bem juntinhos, a mamã não vai deixar  o filho sozinho não... hum....


Evento A

Versão B

Segunda-feira de manhã o meu pai sai para trabalhar. Eu cheguei a casa na véspera. A nossa vizinha de cima e a sua filha batem à porta e querem saber detalhes sobre o parto, a minha mãe e sobre mim. Eu faço as minhas necessidades na fralda e começo a chorar pelo incômodo, reclamando para ser limpo e cuidado. A minha mãe apesar da conversa e da distância que a separa do meu quarto, apercebe-se do choro, manda as vizinhas embora e sai correndo para me limpar... hum não preciso de me preocupar muito, basta dar um choradinho que minha mãe faz o que eu quero...ela cuida de mim.... sou especial, merecedor... sou o centro da vida da minha mãe....  se minha mãe é assim.... se ser mulher é ser assim... não preciso me preocupar muito  com a vida, não estou sozinho no mundo....a vida é bela... quando quiser alguma coisa ou tiver necessidade de atenção posso manipular facilmente a minha querida mamãe.... minha mãe chega e diz: sossega meu filho, calma, pronto a mamã já chegou, já está aqui, não precisa chorar mais, a mamã vai sempre cuidar muito bem do filhinho....vai dar banhinho....não chora,não, não faz mais barulho....  já está quase bem... a mamã agora pega no menino ao colo e vai ver televisão com você....vamos ficar bem juntinhos, a mamã não vai deixar  o filho sozinho não...


Evento B

Entretanto 30 dias depois numa sexta-feira à tarde eu estou a dormir uma sestinha no meu quarto.  Toca o telefone. São uns amigos a convidar para o jantar e assistir ao futebol pela TV. O meu pai se anima com o jantar e o futebol, diz à minha mãe para se preparar para saírem. Preparam-se e vão ao meu quarto onde pegam na cesta comigo dentro (como se fosse um objeto, uma coisa...) dormindo e saem para casas dos amigos ... para quê explicar-me onde vão e informarem-me também de que me vão pegar, se ainda sou tão novo e não entendo nada...? Será que não.....? mas eu estou entendendo tudo... adultos são estranhos ... Chegam a casa dos amigos que me querem ver....entretanto não precisam me acordar porque  eu acordei, por mim mesmo com todo o barulho e reboliço do carros, etc....- levantam-me passam-me de mão em mão como se fosse um boneco para me mostrarem bem, indiferentes à minha vontade de  dormir mais..., deixam-me por perto na sala, onde todos ficam falando, a TV em altos berros, para me poderem controlar melhor .... e ao final da noite depois da janta e do futebol, com gritos de vitória, do time do meu pai, pegam de novo na cesta com a coisa dentro – neste caso eu.... hehehe, e levam-me para o carro onde começam a discutir por causa da hora tardia em que saíram de casas dos amigos. Minha mãe queria ter saído mais cedo, logo após o futebol, mas meu pai ainda ficou discutindo com os amigos, o que fez com que tivéssemos   saída já um pouco tarde. Chegados a casa, eu já estava com dor nos ouvidos de tanto ouvir meus pais discutir... coisa que não gostei.... levaram-me para o quarto deles e por uma questão de conforto, colocaram-me na sua cama, no meio, bem juntinho deles.... hum, amanhã vou querer dormir aqui de novo.... entre eles..., porque é que ainda não me tinham deitado aqui? ... pensei que iria dormir sozinho o resto da minha vida.... a dor dos ouvidos vai aumentando e  eu choro muito não deixando os meus pais dormir...eles ficam desesperados sem saber o que fazer, sem saberem do meu sofrimento e muito menos, das razões do  mesmo... No dia seguinte acordam bem cedo e preparam-se para me levar ao médico para ver o que está a acontecer. Porque é que eles não falam comigo e me explicam melhor o que aconteceu, dizendo que se amam e me amam também, que está tudo ultrapassado e em vez disso vão dar-me medicamentos para curar esse meu sofrimento?

continua...

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