O homem esquece-se de si mesmo sem cessar. Sua impotência em lembrar-se de si é um dos traços mais característicos de seu ser e a verdadeira causa de todo o seu comportamento.
Vocês se esquecem sempre de si mesmos, vocês nunca se lembram de si mesmos. Vocês não sentem a si mesmos; vocês não são conscientes de si mesmos.
...
Para chegar a observar verdadeiramente, é necessário, antes de tudo, lembrar-se de si mesmo.
Não nos lembramos de nós mesmos, vivemos, agimos e raciocinamos dentro de um sono profundo, dentro de um sono que nada tem de metafórico, mas é absolutamente real; e, no entanto, podemos nos lembrar de nós mesmos, se fizermos esforços suficientes; que podemos despertar.
A lembrança de si mesmo é a chave que nos permite compreender que não somos nossas "máscaras" (personalidades), que elas não são o ser real e que é possível observar nosso "traço ou defeito principal" compreendendo que podemos chegar a transmutá-lo em seu oposto "virtuoso"
Uma das características fundamentais da atitude do homem para consigo mesmo e para com os que o rodeiam [é] sua constante identificação com tudo o que prende sua atenção, seus pensamentos ou seus desejos e sua imaginação. A Identificação é um traço tão comum que, na tarefa da observação de si, é difícil separá-la do resto. O homem está sempre em estado de identificação;apenas muda o objeto de sua identificação.
O único modo de superar a identificação é aprendendo a desidentificar-se, já que sómente desta maneira se poderá conseguir a "lembrança de si": ... para aprender a não se identificar, o homem deve, antes de tudo, não se identificar consigo mesmo, não chamar a si mesmo 'eu', sempre e em todas as coisas. Deve lembrar-se de que existem dois nele, que há ele mesmo, isto é, um 'eu' (o verdadeiro ser, o observador) e o outro (a máscara, o falso eu), com quem deve lutar e a quem deve vencer se quiser alcançar alguma coisa. Enquanto um homem se identifica ou é suscetível de identificar-se, é escravo de tudo o que lhe pode acontecer. A liberdade significa antes de tudo: libertar-se da identificação.
A consideração interna é um pensar, refletir, examinar, imaginar, somente voltado ao sujeito que considera e relaciona tudo apenas com suas "necessidades". Não existe um pensar "considerando o que está fora" do sujeito, ou seja, considerando as pessoas, as situações, as necessidades, os sentimentos e estados de ânimo dessas pessoas, desses outros. A consideração interior é como um muro que nos separa da realidade tal qual ela é. A consideração interna não nos permite agir de acordo com as mudanças, as nuances, apenas podemos enxergar nossas"ideias", nossas "opiniões", nossos "medos". Na consideração interior também existe uma "projeção" ao exterior daquilo que eu sinto, penso ou acho de uma situação dada. Um dos poderes de "Maia" é fazer as coisa aparecerem como elas não são.
Temos duas vidas, uma interior e outra exterior, por conseguinte temos duas espécies de consideração.
Devemos parar de reagir interiormente, aquele que conseguir isso será mais livre.
O melhor meio de ser feliz nessa vida é poder considerar sempre exteriormente - nunca interiormente.
Todos temos, em maior ou menor grau, algo de todos os "Traços" e suas combinações, sendo que, um deles é o mais "forte" e característico.
O homem não tem 'Eu' individual. Em seu lugar há centenas e milhares de pequenos 'eus' separados, que, na maior parte das vezes, se ignoram, não mantêm nenhuma relação entre si ou, ao contrário, são hostis uns aos outros, exclusivos e incompatíveis. A cada minuto, a cada momento, o homem diz ou pensa 'Eu'. E a cada vez seu 'eu' é diferente.... O homem é uma pluralidade. O seu nome é legião.
O Traço principal seria,entre todos os "eus' que habitam nosso mundo interior, o "eu" falso mais forte, aquele que comanda a "máscara"/persona.
A grande conquista interior passa necessáriamente pelo controle, transmutação(ou até a "morte" de alguns deles) e governo de todos os pequenos "eus" por um único "Eu", permanente, reflexivo e consciente. Isto é o que torna "indivíduo" (sem divisões interiores), aquele que conquista a "máscara" ou personalidade. Enquanto o Traço Principal não for conquistado, o comando da "personalidade" ficará a cargo de um "falso eu" e de todos os que a eles estão atrelados. Sómente o profundo conhecimento de si mesmo poderá devolver o comando da persona ao "verdadeiro Eu"
Quando nos tornamos conscientes de nosso Traço Principal e consciente dos demais "eus" que habitam nosso complexo e labiríntico mundo interior, quando podemos ser conscientes dos "eus" que, sem ser os principais, também influenciam no "esquecimento de si mesmo", na "identificação" e na "consideração interna", aí então é que o Eneagrama se torna verdadeiramente valioso e supera os limites de uma mera "tipologia psicológica".
baseado nas obras de Khristian Paterhan, Gurdjieff e Ouspensky
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