sexta-feira, 14 de junho de 2013

Algumas reflexões sobre as dificuldades na educação e no estudo

Devido à enorme diferença que existe ainda hoje entre as reais necessidades de aprendizado das crianças e dos adolescentes e o sistema caduco do ensino tradicional, onde o professor é o centro das atenções, e os resultados a qualquer custo são o principal objetivo, torna-se difícil para a grande maioria dos estudantes, alcançar uma perfeita integração no ambiente escolar, com o evidente prejuízo do seu aprendizado e do seu desenvolvimento enquanto seres humanos.

Felizmente vai havendo cada vez mais sonhadores/atores na linha de Rubem Alves, Prof. José Pacheco e outros, que a pouco e pouco estão a mudar este cenário desajustado no panorama brasileiro, nesta área tão vital em nossas vidas que é a educação. O exemplo dos RC é paradigmático. Tomara que cada vez mais pessoas esclarecidas e dispostas a transformar o sistema ultrapassado do ensino tradicional, se lhes associem!!! Para mais informações acessar: http://romanticos-conspiradores.ning.com/

Dentro do modelo de sociedade em que vivemos, a educação escolar representa um papel fundamental. Assim teríamos que adaptar os modelos pedagógicos às características básicas de qualquer ser humano, enquanto bebê ou criança ainda em idade pré-escolar, até aos 2, 3, 5 anos. Algumas destas características são universais e bem marcantes como, a curiosidade, vontade de aprender, conhecer, capacidade e velocidade de aprendizado extremamente elevadas, etc.. Obviamente que como em tudo na vida haverá exceções que confirmam a regra. As características atrás citadas contrastam com as problemáticas que muitos de nós vivemos atualmente, enquanto pais, professores e mesmo alunos. Se o potencial é enorme, porque será que vivenciamos tantas dificuldades com nossos filhos, em casa e enquanto professores ou educadores, na escola ?

Nunca me canso de relembra a célebre frase de Einstein: enquanto continuarmos a repetir algo que não funciona, na esperança de que venha a funcionar, nunca o lograremos, além de ser sinônimo de um tipo de loucura... esta última parte fica por minha conta!

A criança apesar dos textos lindos e moralistas acerca dos seus direitos não é entendida como um ser humano integral e completo a quem apenas falta experiência. É vista como uma coisa que se pega e leva para qualquer lugar, que nada sabe e que, só pode começar a aprender, por exemplo, a ler, quando for para a escola, porque pode ser perigoso fazê-lo antes.... tem tempo para aprender quando forem para a escola, dizem alguns....

Parece e digo-o com alguma ironia porque para muitos não constitui um dado científico... que, começamos a interiorizar a crença de que a vida é difícil e exige muito esforço, se quisermos alcançar algo, a partir dos 6, 7 anos. É nesta idade que “perdemos” a capacidade inata de aprender e começamos a repetir tabuada, etc. ou ainda pior do que isso, a utilizar máquinas de calcular e computadores para fazer cálculos de aritmética básica, promovendo o hábito de não pensar, não calcular, de não utilizarmos as nossas próprias capacidades... 

Interessante o fato de grande parte do cérebro se formar até por volta 6, 7 anos...

São inúmeros os estudos e, sobretudo os exemplos, que demonstram que a época de ouro do aprendizado é antes de irmos para a escola.... Experimente o leitor aprender um idioma novo agora, com todo o conhecimento e experiência que adquiriu na vida. Quando digo aprender refiro-me a dominá-lo usando as expressões idiomáticas, etc.. Difícil, não? Sabia que qualquer criança com um ou dois anos pode aprender dois, três ou mais idiomas corretamente? Só não aprendem porque não são estimuladas para isso, não lhes é dada a oportunidade e também porque não sabem ler...  e porque não sabem ler? Porque não lhes é proporcionado... e porquê? Porque são novas e tem tempo!!!!  Se juntarmos a estas aberrações, a forma como o nosso nascimento se realiza, longe dos ideais do parto humanizado, etc., etc., etc. compreenderemos melhor porque enfrentamos tantos desafios na educação e em outras áreas da vida.

Enquanto assistimos a uma ainda lenta mudança de paradigma, somos confrontados com as nossas próprias dificuldades ou com a de nossos filhos no que diz respeito a integração no ambiente escolar, aprendizado e aproveitamento efetivo, etc.

O que fazer?

O aspecto mais importante a ter em conta dentro da atual selva escolar é a motivação do aluno. Se o aluno estiver auto-motivado e se sentir amparado pelo ambiente familiar, toda a problemática antes referida será minimizada.

E o que é isso de o aluno estar auto-motivado?

O dicionário Aurélio refere auto como: “por si próprio” ou “de si mesmo” e motivado, particípio de motivar, como: determinado, diz-se daquele que se mostra interessado, diz-se daquele cujo interesse ou curiosidade foi despertado, ou seja, poderíamos dizer que se o aluno  tiver bem claro o objetivo que quer alcançar ele irá enfrentar as frustrações e as dificuldades do seu dia a dia com uma atitude proativa .

Ao contrário se ele estiver a estudar porque os pais querem que ele estude ou, a fazer o curso que os pais acham ser o melhor, as dificuldades serão gigantescas e a possibilidade de adquirir uma boa formação e se constituir num cidadão feliz e realizado serão mínimas.

Convém salientar que de uma forma muito simplista estudar significa aprender ou saber mais acerca de algo e que dificilmente existirá alguém que não esteja interessado em saber mais alguma coisa acerca de qualquer coisa...

O processo de desenvolvimento psicoemocional pelo qual passamos enquanto crianças, fruto da inconsciência geral em que vivemos, é muito adverso. Por exemplo, quando nossos filhos começam a desenhar, fazendo os habituais rabiscos dizendo que representam, o pai, a gata, etc. temos a tendência de lhes querer ensinar como é que se desenha certo.... Anda cá, senta aqui que o papá vai mostrar como é... Curiosamente, a maioria perde o interesse por desenhar. Porque será? Porque não apenas reconhecer dizendo: que lindo que está teu desenho! Por motivos como este, mais tarde, poucos conseguem fazer o ensino médio, cientes do que querem vir a estudar na universidade. 

É importante também observar que, nem todos nós nascemos para sermos doutores ou engenheiros. Nem todo o indivíduo diplomado é feliz e desfruta, por exemplo, de idoneidade moral e ética da mesma forma que nem todo o empresário que normalmente recruta esses diplomados, é infeliz, analfabeto, burro ou pensa exclusivamente em dinheiro.

Pelo contrário há e sempre houve proprietários de grandes negócios, que começaram a trabalhar bem jovens e que são pessoas sensíveis contribuindo de diversas formas para um desenvolvimento equilibrado e sustentável da nossa sociedade.

Assim se é adulto e quer estudar, antes de fazê-lo deve questionar-se verdadeiramente porque o quer fazer? Podem existir vários motivos todos eles válidos, desde a curiosidade, a vontade de saber mais, à possibilidade da melhoria ou de mudança da sua carreira profissional, entre outros. Irá encontrar dificuldades e se não estiver fortalecido com um propósito forte, a probabilidade de desistir será grande.

Se tivermos um filho meio perdido na escola, talvez seja bom antes de qualquer outra coisa, ajudá-lo a encontrar a sua vocação, sem qualquer julgamento prévio, ou manipulação para algumas áreas do seu agrado. Sobretudo devemos ser os primeiros, ou neste caso os segundos, depois de nosso filho, a confiar nele!!! Confiar de verdade, ciente de que às vezes é preferível ele “perder” um ano nesse processo de reencontro com ele mesmo, do que perder uma vida frustrado e falhado.     

E como professor, como seria ocupar uma aula no inicio de ano, numa conversa franca e aberta com os seus alunos, se apresentando como professor  e questionando-os acerca dos interesses deles, ajudando-os também a entender a importância do que lhes vai ensinar para a vida futura deles...?           

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