segunda-feira, 11 de julho de 2011

Oneomania ou compulsão para compras

A oneomania ou compulsão para compras tal como outras doenças tem origem no afastamento do homem, em relação a si mesmo.

Quando o ser humano se encontra num estado de verdadeiro equilíbrio emocional e paz interior, sabe e sente que não necessita de nada para ser feliz embora tenha também, em simultâneo, a consciência de que pode ter tudo o que quiser.

Assim, a necessidade de preenchimento dos vazios existenciais advém da perda do contato que o ser humano é obrigado, desde muito cedo, a fazer com aquilo que pode ser considerado a sua essência, aquilo que ele é a um nível mais profundo.

A realidade não se limita aquilo que podemos perceber numa primeira impressão pelos nossos sentidos, ditos principais. Reduzir a realidade apenas a tudo o que vemos e sentimos seria o mesmo que dizer, por exemplo, que pelo fato de nós não os ouvirmos, os ultra-sons não existem, o que seria uma grande falsidade. Pelo fato de não conseguirmos observar um raio gama através dos nossos sentidos ordinários não quer dizer que ele não existe.
A nossa existência enquanto seres também não se limita apenas a um corpo com um cérebro, um coração, etc. Por eu não ter consciência dos diversos planos da minha existência, não quer dizer que eles não existam.

Mas o que é que isto tem a ver com a compulsão para compras?

A compulsão para compras produz sofrimento adicional ao ser humano que já estava a sofrer para desenvolver essa compulsão! Ninguém que se encontre num estado de equilíbrio emocional e paz interior desenvolve uma compulsão para compras.

Podemos dizer que a principal fonte de sofrimento do ser humano é a perda de contato consigo mesmo, com a sua essência, que alguns referem como eu superior, a sua natureza mais profunda, ou ainda, por outras palavras, a falta de consciência de si mesmo.

Quando se perde esse contato, gera-se um vazio, uma insatisfação, que se procura depois preencher com algo exterior, um relacionamento, aquisição de bens materiais, certos tipos de música, estupefacientes, estimulantes, videogames, sexo, etc.

Essa perda de contato vai-se processando ao longo das primeiras etapas do nosso desenvolvimento e pode prolongar-se até ao fim da adolescência. No decorrer destas etapas ocorrem normalmente algumas experiências traumáticas e/ou geradoras de conflitos internos que põem em questão a nossa liberdade e independência futuras. De forma grosseira é como se abandonássemos a direção do nosso automóvel e a passássemos para outra(s) pessoas.

Isto ocorre devido à condição humana, única na natureza, que implica estarmos totalmente dependentes de terceiros para garantir as necessidades básicas de sobrevivência durante os primeiros anos de vida. Por este motivo aprendemos a reter muitas emoções negativas e criamos vínculos de dependência que no futuro se mostram perniciosos para a nossa saúde física, mental e emocional.

As compras são apenas uma das formas de procurar restabelecer essa ligação à essência e alcançar um estado de plenitude. Aparentemente essa plenitude é alcançada no momento em que se processa a compra. Paradoxalmente essa sensação prazerosa irá reforçar a necessidade de voltar a comprar. Posterior e quase imediatamente surge muitas vezes o sentimento de culpa por mais uma tentativa em vão de alcançar a felicidade tão ansiada. A expectativa inicial de preenchimento e plenitude dá lugar num curto espaço de tempo a mais insatisfação. A imagem é a de alguém que pode ter acesso a um pão inteiro e que está vivendo de migalhas.

Assim se pode desenvolver um condicionamento /compulsão por compras, através do circuito ansiedade/angústia, satisfação, sentimento de culpa. O momento de satisfação vai ser o principal catalisador da repetição constituindo-se como um fator mais importante do que o sentimento de culpa e a ansiedade ou angústia iniciais.

Se enfrenta ou conhece alguém que se confronta com esta dificuldade e pretende ajudar pode contatar, para mais informações:

http://www.descondicionamento.com/contato/

Em função dos padrões de felicidade hoje impostos pela mídia muitas vezes de forma subliminar, na base de imagens de pessoas com boa aparência física, bem vestidas, com excelentes carros, ricas, alguns de nós, infelizes com a nossa condição pessoal, familiar e profissional, na ânsia de sermos felizes procuramos reproduzir esses padrões comprando roupa, automóveis, etc. No caso de roupa e algum tipo de objetos, como livros, dvd´s etc., a maior parte nem chega sequer a ser utilizada. É comprada e guardada muitas vezes embalada.

Somos induzidos a associar a ideia de felicidade à ideia de possuir algo. Se eu TIVER, eu SOU!

Resumindo, a perda de contato conosco mesmo, associado aos condicionamentos externos de que podemos ser felizes comprando, tendo, criam um campo bem fértil para o desenvolvimento da oneomania.

Independentemente de outras razões o descondicionamento da ansiedade, da angústia e do vazio existencial tem-se mostrado importante na cura da oneomania. Se também fizermos o descondicionamento do momento de gratificação e, se for o caso, do sentimento de culpa que se gera em cada momento que sucede à compulsão, teremos encontrado grande parte da solução desta “nova” problemática.

Os processos do Descondicionamento que utilizo, nalguns casos associados a alguns florais de Bach tem-se mostrado eficazes na ajuda a várias pessoas que apresentaram queixas de compulsão para compras.

O nível do resultado e o tempo necessário para o alcançar irá depender em grande medida do envolvimento da pessoa e da gravidade da situação.

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